DONA DE CASA

Dona Dora é uma frágil senhora,
Mas não para os trabalhos forçados
Da cozinha, onde faz de tudo,
Na manhã de domingo:

Descongela a carne, cata o feijão,
Escorre o arroz, corta as verduras,
Abre os temperos, trata o peixe,
Cozinha os legumes,
E, de quebra, ainda faz o mingau
Do neto mais novo.

Dona Dora reclama das noras
Que só vão acordar lá pras onze horas!
- Não sei como esse pessoal vai criar
Os filhos!

Uma vizinha que passou, rapidamente,
Para fofocar, emendou: “Tu já visse...
Dora, não tem mais dona de casa
Como a gente, não, criatura!...”

E tome Dora a reclamar das noras....
E tome Dora a reclamar das noras....
A manhã todinha!

Por volta do meio-dia,
Quando chegam as noras, os filhos
E os netos, Dora bota um sorriso de vó,
Abraça a todos e diz, como se não tivesse
Feito esforço nenhum:

O almoço está pronto, minha gente!

 
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