| A FESTA
DA PADROEIRA
No bar:
Pelas garrafas de cana,
Muitos trabalharam na semana.
Amém.
No centro comercial:
Pelas sobras depois do bingo,
Mendigos sobrevivem no domingo.
Amém.
No restaurante:
Pelo tira-gosto, antes do almoço,
Pululam moscas no rosto.
Amém.
No campo de futebol:
Depois da retirada dos bois,
Brigam mais de vinte e dois.
Amém?!
No pátio da Igreja:
Pelo andor de Nossa Senhora,
Surgem, descalças, todas as carolas.
Amém.
Na sacristia:
Pela banda da procissão:
Sonham padre e o sacristão.
Amém.
No culto:
Pelo som do alto-falante,
Berram os pastores protestantes.
Amém!!!
Na usina:
Pelo foguetório animado,
Esperam os senhores do sobrado.
Amém.
No parque:
Por um bilhete gratuito,
Crianças pobres no intuito.
Amém.
Na rua:
Pela santa da salvação,
Espera uma multidão.
Amém!!!
Na prefeitura (Um vereador reclama):
Eu já falei pro prefeito
Que vai faltar caminhão.
Que sem promessa de céu
Não se tem reeleição.
JOCA DE OLIVEIRA
N.A. Meu amigo e compadre, Roque Braz, na intenção
de musicá-lo,
Mandou umas variações do poema acima, e eu aceitei
algumas.
Vou dar dois exemplos:
1. Onde havia Pulam moscas no rosto, ficou: Pululam moscas no
rosto.
2. No último verso, onde havia Não se tem nova
eleição, ficou Não se tem reeleição.
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