O III RECITAL SAVINIANO


Do antigo Colégio Savina Petrilli, em Ribeirão – PE, eu tenho uma pequena lembrança de menino, bem menino. Ficava situado na Praça Barão das Águas Claras (o nome da praça mudou), onde hoje funciona o Fórum Municipal. Era conhecido como o “Colégio das Freiras” e só aceitava matricular moças e meninas. Cresci acompanhando a nova construção desse colégio na Rua Leão Coroado, s/nº, e foi esse estabelecimento de ensino quem educou e formou minhas três irmãs: Mariluce, Maria do Carmo e Marilene. Eram tempos de ensino rígido e, aparentemente, com pouca liberdade de expressão. Os anos se passaram e eu vivi e me eduquei praticamente fora da cidade, em dois internatos, onde terminei o ensino médio. Depois, me mudei para a capital onde cursei graduação superior e, por isso, não sei exatamente qual a data em que esse colégio começou a abrir suas portas para estudantes do sexo masculino.
E a mudança parece que fez bem. Já é a segunda vez em que sou convidado para um recital de poesias preparado pelos professores e alunos do Savina, onde se exercita também a teatralização de peças conhecidas e, ainda, apresentações musicais. O convite geralmente parte da Professora de Língua Portuguesa, Alcioneide Oliveira, por quem nutro grande admiração. A forma com que ela motiva seus alunos para as Letras é esplêndida. Tenho visto através do seu site (www.alcioneideoliveira.pro.br) fotos de alunos encenando textos de literatos famosos. Recebi, certa vez, dos seus alunos, dezenas de textos para uma observação rápida e fiquei estupefato com a quantidade de cadernos com contos, poesia, esboços de novelas e até romances. São iniciantes, mas é um começo promissor.
Pois bem, como da primeira vez, fui homenageado juntamente com outros poetas da cidade e, novamente, me senti aquém do mérito com que me devotaram alunos e professores. Contudo, o fato de poder, com a minha presença, estimular aqueles alunos à prática da literatura em todos os sentidos me motivou a participar. Cai um pouco o mito de que ninguém é profeta em sua própria terra. O Savina prestigia os poetas da terra, os filhos da terra. Além de patrocinar um congraçamento entre a escola e as famílias dos alunos, entre a escola e a sociedade. E este deve ser o papel de uma escola. Mostrar a produção cultural dos seus alunos para ser vista por quem vive fora da comunidade escolar. Fazer semelhante àquele poeta que diz: “o artista tem de ir onde o povo está”.
Durante a viagem de ida, fui rememorando trechos da minha infância quando passei pelo antigo Ginásio Agrícola de Escada, hoje, uma escola municipal. Ao chegar às fronteiras do município, percebi que pouca coisa havia mudado naquela região da Mata Sul. O latifúndio canavieiro era ainda absoluto e a pobreza mais absoluta ainda. Apesar da entrada decepcionante, minhas perspectivas para a noite do recital eram otimistas, inclusive por conta do recital anterior. Mas, vamos à festa...
Quando cheguei ao auditório do Savina, o salão estava repleto e foi anunciada a minha chegada. Outros poetas da cidade já estavam colocados na primeira fila: Luiz de França, Paulo Sóstenes, Tony Albuquerque, Luís Silva e Malaquias. Eu e João Durval, poeta popular, completamos a fila. Desses, apenas Luiz de França e Tony não nasceram em Ribeirão, porém, adotaram a cidade como a segunda em seus corações. Com o recital iniciado, era patente o nervosismo dos alunos das primeiras séries, o que entendi como algo normal e merecedor de aplausos. Só o fato de subir num palco e encarar um público já demonstra um poder de iniciativa, uma vontade de acertar. Essa é a raiz de todo bom empreendimento. Não basta só o talento; o esforço, o ensaio e o estudo devem ser continuados. Senti, também, um espírito de cooperação em todos os presentes, desde os estímulos advindos dos coordenadores do recital, de professores e alunos das outras séries, como de incentivos partindo dos pais e parentes que estavam na platéia. Afinal, estavam ali amadores e jovens iniciantes (alunos e alunas), não artistas consagrados. Isto me emocionou. Não houve o medo de errar. E, a partir da entrada dos alunos mais antigos, aquele nervosismo inicial foi se dissipando gradativamente. Entre os novos, destaquei a participação de um jovem conhecido por Renan. Segundo os apresentadores, foi ele quem escreveu aquela versão da Bela Adormecida encenada durante o recital. Também dirigiu e atuou na mesma fazendo o papel do Destino. Renan foi longamente aplaudido por todos e cumprimentado pelos poetas que ficaram de pé, após a paródia.
Entre uma participação e outra no recital, havia a participação também de alunos em números musicais, e uma menina me chamou a atenção. O destaque da noite foi Marina, a mocinha dos “sete instrumentos” que, juntamente com sua banda, instalada abaixo do palco, colocava fundo musical nas peças encenadas e, às vezes, na hora da declamação dos poemas.
Todos os poetas foram homenageados. A turma que me homenageou declamando meus versos me deixou feliz. A apresentação do poema ROSA DRAGÃO por duas alunas daquela série me deixou sentimental. E mesmo que as apresentações tenham se alongado para depois das vinte e três horas, valeu a pena esperar cada uma!
Outrossim, fiquei mais uma vez orgulhoso das participações dos meus sobrinhos, Juninho e Clarissa, um show à parte para o tio-coruja. Clarissa, tanto quanto o jovem Renan, é um promissor talento em cima do palco. Ambos se transformam em excelentes atores.
Para finalizar, quero dar meus parabéns às irmãs do Savina, à Alcioneide e demais professores que coordenaram o evento, aos pais, parentes e amigos que compareceram e, principalmente, a todos os alunos que compõem o universo saviniano. Lembrem-se, o grande salto revolucionário deste século no Brasil será através da Educação. Não vejo outra saída. O País é este!...

Joca de Oliveira

 

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