O
MAIS BONITO POEMA DE AMOR
Dos cem melhores poemas do século XX, selecionados por
poetas e críticos brasileiros convidados pela Folha de
São Paulo (Suplemento Mais!, de 02 de janeiro de 2000),
A Ponte Mirabeau, de Guillaume Apollinaire, é o 73º
colocado. Em 1992, lembro-me de um passeio pela tarde após
almoçar, no Gambrinus (bar considerado o mais antigo
da cidade, hoje extinto), com a minha amiga Gê. Fomos,
depois, até um bar, na Dantas Barreto, onde encontramos
dois senhores. Numa mesa ao lado, um deles declamava para o
outro, o que considerava ser o mais bonito poema de amor de
toda literatura francesa. Gê, sempre mais atirada socialmente
do que eu, perguntou, ao que declamava, a que poema ele estava
se referindo. O poema era A Ponte Mirabeau.
A PONTE MIRABEAU
Sob a ponte Mirabeau corre o Sena
E os amores
De que não me esqueço
A alegria sempre antes da pena
Chega a noite fim começo
Vão-se os dias permaneço
Fiquemos de mãos dadas face a face
Enquanto sobre a ponte
De nossos braços passe
Dos olhares a já quase extinta fonte
Chega a noite fim começo
Vão-se os dias permaneço
Foge o amor como a água se ausenta
Foge o amor
Como a vida é lenta
E como a esperança é violenta
Chega a noite fim começo
Vão-se os dias permaneço
Passam os dias e as semanas passam
A vida aliena
Os amores se embaçam
Sob a ponte Mirabeau corre o Sena
Chega a noite fim começo
Vão-se os dias permaneço
Guillaume Apollinaire
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