CANÇÕES PARA LEMBRAR... (1)

Dos tempos de faculdade, a música Kamikaze, da extinta banda, Egotrip, imediatamente me traz à memória um estudante de Direito, hoje, meu amigo e compadre: Roque Braz. Eu conheci a música através do seu violão (dele). Das centenas de músicas que ele já tocou para mim, Kamikaze é a que marca mais fortemente a nossa amizade. Naquela época, eu residia na Casa de Estudante Universitário, em Recife, e conheci um estudante do ensino médio, Antônio Reinivaldo, um dos tantos alunos do interior que vinham à capital tentar o Vestibular. Hoje, músico já conhecido, o Crente cantava uma canção que jamais esqueço: Jardim da Fantasia, de Paulinho Pedra Azul. Quando eu estava brigado com o Crente, das inúmeras brigas que tivemos no decorrer de nossas vidas estudantis, a melhor forma de reatar a amizade era chegar pra ele, nas ocasiões de bar e violão, e pedir: - Crente, toca Jardim da Fantasia. Ele olhava para mim e ria. Você é meu irmãozinho, rapaz. Pronto, a amizade estava refeita.
Olha, de Roberto e Erasmo Carlos, me retorna aos meus vinte anos, no curso de Administração de Empresas, na Unicap. Adnara, uma amiga do curso, sempre me observava: - João, essa música é a tua cara! Nunca passamos de amigos. Acho que devido à minha cabeça cheia de problemas... Das noitadas de Olinda, saudosos Bar de Maria e Aritana, e etc., ficaram duas na radiola de ficha, aqui, da minha cabeça: Será, Legião Urbana, na voz de Simone e Inverno, de Adriana Calcanhoto e Antônio Cícero, na voz dela. Rapaz, infinitas madrugadas de embriaguez! Ana (xérox, Praça do Carmo) foi testemunha. Agora, todas as músicas de Bob Marley me lembram meu irmão mais novo, Lula. Uma, em especial, Waiting in Vain, a gente dançava com mais força e alegria: eu, ele, Nau, Sisnaldo, Nando e mais uma galera da geração dele, em Ribeirão, minha terra. Outra, Roundabout, rock progressivo do Yes, lembra meu amigo Jessé, que, infelizmente, não suportou “a barra de viver”. Uma tarde, na casa dos meus pais em Ribeirão-PE, tomamos um litro de Vodca. Ele falando dos tempos em que estava preso aos tóxicos e eu do internato. Repetimos Roundabout umas dez vezes! Nunca quero lembrar Jessé como um “talento desperdiçado”. Viremos a página: um dia, na Sete de Setembro, em Recife, encontrei outro cabra bom de violão, o Sérgio Mosquito. Ele me emprestou uma fita da banda Marillion, por quem, desde aquele dia, me apaixonei. O álbum era Seasons End. Se eu tivesse sido adepto das drogas cheiráveis e injetáveis, provavelmente, este som me acompanharia nas “viagens”. Demais, bicho!... Dos Beatles, gosto de tudo, até das músicas de que não gosto!... Lennon, McCartney e Cia.: boas lembranças. José Seve (Zé Biu), Paulinho das Candongas (meu baixista preferido) e o múltiplo artista, Jorge Lopes, também gostam. The Long and Winding Road, de Lennon e McCartney, foi a música que mais tocou o meu coração, muuuuuito mais do que Yesterday ou Eleanor Rigby. Jorge Lopes acha que a música é muito triste e, quando eu fico triste, é a primeira música que me chega à cabeça!...Pode ser.
Tudo de Vinicius ou Noel Rosa me lembra o amigo e violonista, Nilson Braga, das saudosas serenatas em Ribeirão. Vou marcar duas que ele gostava de tocar: de Noel, Último Desejo; de Vinicius, Eu Sei Que Vou Te Amar...

Continuemos. Três músicas do cinema me encantam primeiramente mais do que outras:
The End, Jim Morrison, da banda The Doors. Esta música inicia o filme Apocalypse Now, do Francis Ford Coppola. São mais ou menos cinco minutos do que há de mais majestoso na história do cinema, ao som de The End. Depois, a música-título do filme Houve uma vez um Verão e, por fim, a música-tema de Em Algum lugar do Passado (Somewhere in Time). São canções fantásticas, inesquecíveis.

Caetano Veloso e Beto Guedes, dois ícones da música, da minha juventude e da minha vida, de tantas e magistrais composições, vou reuni-los numa só canção e dedicá-la ao meu saudoso amigo e poeta, Antônio Olívio Ramos. É pouco?... É nada!... É Luz e Mistério. Bar de Maria, Olinda, década de 90, sei lá, duas da manhã, bêbados intermináveis, cantamos, repetimos inúmeras vezes esta canção (eu, Ana, Celinha, Sérgio, Cristina Braga, Ilza, Zé Pedro (que só bebia e olhava), e etc.) mesmo sem violão, vozes roucas, abraçadas no interesse da noite não terminar...

De Lô Borges, Milton Nascimento e Márcio Borges, Clube da Esquina nº. 2, na voz de Milton Nascimento, ou na voz de Beto Guedes, ou na voz do Lô Borges, tanto faz. A música
não faz lembrar uma só pessoa, lembra uma geração: os Anos 70, que marcou todas as outras que se seguiram. Lembra coisas que só com a música se supera.

Queria terminar com músicas de Chico, Maria Betânia, Gal Costa, Bob Dylan, Sade Adu, Gilberto Gil, Cole Porter e a inesquecível, Elis, porém, ficam para o próximo caderno de músicas. Termino com um bolerão, Dorothy Lamour (Fausto Nilo e Petrúcio Maia), gravada pelo cearense Ednardo, que me faz lembrar outro cearense e grande amigo, meu vizinho na Várzea, Wilson Vieira. Todas as vezes que Black Will bebe ouvindo esta música, ele olha para mim, já meio chapado, e diz: - Negão, repete!

 

 

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