CAMINHADA –
11.12.2005
A minha caminhada matinal pelo campus da UFPE dura um máximo
de três voltas quando a faço sozinho. Geralmente
não passo dessa linha. A caminhada quase sempre é
movimentada quando vou com alguma companhia. Pessoas jovens,
pessoas velhas, cachorros, até bicicletas, que são
proibidas no passeio, servem para estimular o percurso. Quando
a companhia é minha amiga Auricéia, que fala pelos
cotovelos, pelos ombros, pelas pernas e pela boca, naturalmente,
a pista nem precisa estar movimentada. Não corro, ainda.
A vida já é um corre-corre. Não há
pressa nenhuma. Não é maratona.
Hoje a pista estava quase vazia. E, nessa ocasião,
qualquer coisa serve de estímulo para distrair até
a última volta. Primeiro empurrão: foram dois
jovens militares marcando o tempo de percurso e parecendo em
competição. Depois disso, apareceu uma jovem solitária,
com roupa composta e bolsa, de aspecto humilde, andando de cabeça
baixa. Parecia ter vindo da noite e não deve ter conseguido
alguma coisa. Estava tão perdida, que não sabia
direito a direção a ser tomada. Não era
bonita e isso a tornava mais triste. Parecia de aluguel e, se
fosse minha amiga, diria pra mudar de profissão. Sumiu
por entre as árvores e não mais a vi. Adiante,
na curva da volta, duas garotinhas passaram ao largo. Estavam
em bicicletas e uma gritava pra outra: - Quem chegar por último
é a mulher do padre! Ou seria do pato?... Fora da pista,
uma senhora caminhante me cumprimenta.
Quando terminei a primeira volta, a pista continuou quase
vazia. Talvez a proximidade das festas de fim de ano e o fato
de que as pessoas acordam mais tarde no domingo. Alguns amigos
que habitualmente freqüentam o local não apareceram.
O pessoal que pratica Tai Chi, ao lado do trajeto, e cujo visual
estimula bastante a quem caminha, também não apareceu.
Olhei em volta e o silêncio da paisagem não animava.
Minha solidão tem de estar acompanhada. Gente por perto.
Cadê aquela velhinha, com a neta, que pergunta, toda vez
que eu termino a caminhada: - Vem amanhã?... E o velho
setentão que caminha em velocidade? Quando estou terminando
a primeira, ele vem no meio da segunda volta. E Zé? E
Wilson?...
Termino a segunda volta e me falta coragem para uma terceira.
Ainda bem que o carro ajuda no caminho de retorno. Meu velho
e saudoso amigo, Múcio, me dizia que o melhor amigo do
homem não é o cão, é o carro. Bem,
pelo menos, nessas horas, ele ajuda, e muito. E em outras também.
Sigo pensando no café da manhã e no que fazer
depois dele. Meu domingo não está perdido nem
vou pra casa, entristecido. Juro para mim mesmo que nunca mais
irei à caminhada, sozinho. Agora, com o andar da carruagem,
acho que mais tarde vai dar vontade de beber...Ora, se vai!..
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