A “PELADA DA FOICE”. (Crônica)

A tradicional Pelada da Foice acontecia sempre aos sábados, a partir das dezesseis horas, no melhor campo da cidade: o campo do SESI. Éramos onze contra onze como nos jogos oficiais, porém, havia momentos em que o mínimo de regras para se jogar uma partida de futebol não era obedecido. Primeiramente, não tinha juiz. As faltas eram “apitadas” no grito. Três ou quatro regrinhas usadas entre os “capitães” vinham das peladas de rua, como: “travada é da defesa”, “mão e (depois) gol - é gol”, “correu de campo é dez no tampo”, etc. E, geralmente, após uns vinte minutos do início da pelada, os times ultrapassavam o número ideal de jogadores. Começavam a entrar em campo os atrasados do dia: vinham dos bares, das ressacas, dos braços das amadas. Um escolhia o time com camisa, dois seguiam para o time sem camisa, e, daqui a pouco, a partida continuava com quinze contra dezesseis. Digo que é verdade porque já contei, numa ocasião. Não terminava em batalha campal, em razão de a grande maioria gostar mesmo de jogar bola.
Passaram pelo gramado do glorioso SESI tanto os chamados artistas da pelota, como Brás, Breno, Ciço Lambretinha, Bel do Sesi, Ilo, Nego Vando, Marinho, os irmãos, Joel e Pedrinho, Zé da Mata, Lino Gaúcho e tantos outros, assim como verdadeiros pernas-de-pau, tipo Zé Imbé, Tostão, o “banheirista”, Marcinho de Seu Adauto, Toi, e aqueles cujas memórias já não consigo trazer à tona. Havia os “peladeiros” comuns, do dia-a-dia, como eu, Marcos Chita, Rubinho, Deninho, meus irmãos, Van e Zeca, Hélio Cachaça, Marroque, Tertuliano, Géo Taioca, Ismail, Manezinho, Nenéu, Deda, Bel Buchudo, Alan, Véi Lau, Oscarzinho, Dau, Matu, Pedro Celeiro, Zoma, Doda, Davi e uma lista enorme que, na verdade, se a gente for botar no papel, corre o risco de esquecer alguém “famoso”.

E como meu texto é um esforço de memória, até para instigar os que hoje trabalham o esporte na cidade em que nasci, segue mais uma relação de nomes para engrossar a lista; os que guarneciam as defesas. Jamais poderíamos esquecer os homens lá de trás. Os que gostavam de “baixar a caixa de ferramentas”: Tinha Guilherme, meus dois irmãos mais velhos, Amaro e Vadinho, Maurício “Beberóide”, Cícero, Godói, Negão Dindo, Tinho, Zé Grampão, etc. Me lembro de – somente – um goleiro efetivo: Zé Victor, o “Laranjinha”. A pelada não era só foice, não!...Existiam, também, zaqueiros e volantes requintados; eram os chamados “clássicos”, como Maro Giroldo, Chico de França e Gilberto de Estreliana...

Ah, gente, confesso que levei muitas bordoadas naquele espaço de campo que é um pedaço das nossas vidas. Acumulei cicatrizes, dedos estourados, contusões, calos nos pés, alegrias, raríssimas mágoas e uma saudade de bola tão grande que, às vezes, fico comovido. Bastante comovido e feliz por ter vivido esse tempo.

JOCA DE OLIVEIRA

PS: Peço desculpas aos “peladeiros” não incluídos neste texto. Como meus escritos nunca são definitivos, espero acrescentar alguém, no futuro, quando houver uma lembrança. Alguns nomes que citei participaram de pelo menos uma pelada. Outros, incluídos, que nunca foram na “Pelada da Foice”, deveriam ter ido. Àqueles que já não estão entre nós, dedico esta singela crônica.


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