Quem sou eu?
Que ando quase despido
Descalço de pés no chão
Pedindo a uns e a outros
Um prato de comida
Um pedaço de pão
Quem sou eu?
Que por ironia do destino
Alguém me desprezou
Faço da calçada cama
E do frio cobertor
Quem sou eu?
Que por muitos sou discriminado
Todos querem me pisar
Quando me sinto com fome
Que peço e alguém me nega
Sou obrigado a roubar
Quem sou eu?
Que vivo vagando por praças
Avenidas e ruas
Tendo como amparo
O brilho do sol e o claro da lua
Quem sou eu?
Que tão marginalizado
Aos meus pés ninguém se curva
Vivo como uma pedra
Debaixo de sol, sereno e chuva
Quem sou eu?
Que por tantos e tantos
Sou rejeitado por viver assim
Por cima de tudo
Ainda tem alguém
Que deseja meu fim
Se você pensou, pensou
E ainda não respondeu
Novamente volto a perguntar:
Quem sou eu?
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